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Alimentação

A dieta dos répteis: cada espécie é um mundo

Não existe uma ração universal para répteis: cada espécie come de forma distinta. Este guia orienta-o por grandes grupos e explica o cálcio, a vitamina D3 e o gut-loading.

7 min de leitura Voltar ao guia de répteis
Índice (7)
  1. 1. Não há uma dieta única para répteis
  2. 2. Répteis herbívoros
  3. 3. Répteis insetívoros
  4. 4. Omnívoros e carnívoros
  5. 5. Cálcio, vitamina D3 e UVB
  6. 6. Gut-loading: alimentar os insetos
  7. 7. Frequência, água e erros

Com os répteis, a primeira lição sobre alimentação é esta: não existe «a dieta dos répteis». Sob essa palavra cabem animais tão distintos como uma tartaruga herbívora e uma serpente carnívora. Dar a um réptil a dieta errada é uma das causas mais frequentes de doença — e das mais evitáveis.

Não há uma dieta única para répteis

Antes de adotar um réptil, a pergunta não é «o que comem os répteis», mas sim «o que come exatamente esta espécie». A dieta de um gecko-leopardo, de uma pogona e de uma tartaruga terrestre não se parecem em nada.

Este guia orienta-te por grandes grupos para que percebas o enquadramento geral, mas a dieta concreta —o quê, quanto e de quanto em quanto tempo— tem de ser ajustada à tua espécie e, se possível, com um veterinário de exóticos.

Répteis herbívoros

As tartarugas terrestres são o exemplo típico. A sua dieta assenta numa boa variedade de ervas e folhas adequadas à sua espécie. Pontos-chave:

  • Variedade de plantas e folhas seguras; evite basear a dieta num único alimento.
  • Fruta, muito pouca ou nenhuma · o seu açúcar altera a digestão de um herbívoro.
  • Sem proteína animal · dar ração de cão ou gato a uma tartaruga herbívora causa-lhe danos graves a longo prazo.
  • Aporte de cálcio conforme indicação do veterinário.

Répteis insetívoros

O gecko-leopardo é um insetívoro estrito. Comem insetos vivos criados para alimentação —grilos, baratas, diferentes larvas consoante a espécie e a idade—:

  • Insetos de criação, nunca silvestres (pesticidas, parasitas).
  • Insetos de tamanho adequado ao réptil.
  • Insetos «gut-loaded» (alimentados previamente) e polvilhados com suplemento (ver abaixo).
  • Alguns insetos são mais gordos e usam-se apenas como prémio ocasional; o veterinário orienta-o.

Omnívoros e carnívoros

O dragão-barbudo (pogona) é omnívoro: combina insetos e vegetais, e a proporção muda com a idade — jovem precisa de mais proteína animal para crescer e adulto a dieta torna-se mais vegetal. Outras espécies são carnívoras estritas. Em todos os casos, a regra é a mesma: investigar a dieta concreta da espécie e da etapa de vida, não improvisar.

Cálcio, vitamina D3 e UVB

Este é um dos pontos mais importantes e pior compreendidos. Muitos répteis precisam de um aporte correto de cálcio e de vitamina D3, porque é a D3 que permite assimilar o cálcio. E a D3 está ligada à luz UVB.

  • O cálcio costuma dar-se polvilhando os alimentos com um suplemento específico.
  • A vitamina D3 muitos répteis sintetizam-na graças à luz UVB do terrário.
  • A carência de cálcio, D3 ou UVB provoca a doença metabólica óssea: deformações, ossos frágeis, fraturas — grave e muito frequente em répteis mal mantidos.

Dieta, suplementação e UVB andam de mãos dadas: por isso o terrário e a alimentação são inseparáveis. O plano exato é definido pelo veterinário de exóticos consoante a espécie.

Gut-loading: alimentar os insetos

O «gut-loading» (alimentação prévia) é um conceito simples e muito importante em répteis insetívoros: antes de dar os insetos ao réptil, alimenta-se bem esses insetos com vegetais e alimentos nutritivos.

A lógica: um inseto vazio aporta pouco; um inseto recém-alimentado leva esses nutrientes «dentro» e passa-os ao réptil. Uma alimentação prévia correta, juntamente com a pulverização de cálcio, faz a diferença entre uma dieta pobre e uma completa.

Frequência, água e erros

Algumas chaves finais:

  • Frequência · os répteis jovens costumam comer com mais frequência do que os adultos; muitas espécies comem bastante menos do que um mamífero. Ajuste com o veterinário.
  • Água e hidratação · necessidades muito distintas consoante a espécie (algumas bebem de uma taça, outras lambem gotas, outras hidratam-se em banhos). Informa-te sobre a tua.
  • A temperatura manda · um réptil frio não digere bem. Se não come, verifique primeiro as temperaturas do terrário.
  • Erros graves · dieta monótona, fruta em excesso a herbívoros, proteína animal a herbívoros, insetos silvestres, saltar o cálcio e a UVB, e improvisar em vez de investigar a espécie.

Em resumo: a dieta de um réptil depende por completo da sua espécie — herbívoro, insetívoro ou omnívoro. Investiga a fundo o que come o teu réptil em concreto, garante o aporte de cálcio e vitamina D3 (ligada à UVB) para prevenir a doença metabólica óssea, nutre previamente os insetos e ajusta a frequência e a hidratação com um veterinário de exóticos. Em répteis, alimentar bem é prevenir.

Perguntas frequentes

O que come um réptil?
Não há uma resposta única: depende totalmente da espécie. Uma tartaruga terrestre é herbívora, um gecko-leopardo é insetívoro estrito e um dragão-barbudo é omnívoro. Antes de adotar um réptil concreto, o primeiro passo é informar-se a fundo sobre a dieta exata DESSA espécie. Dar-lhe a dieta errada é uma das principais causas de doença nos répteis.
Posso dar fruta à minha tartaruga terrestre?
Como regra geral, muito pouca ou nenhuma. As tartarugas terrestres são herbívoras de ervas e folhas; um excesso de fruta (açúcar) altera-lhes a digestão e a flora intestinal. A sua dieta assenta numa boa variedade de plantas e folhas adequadas à sua espécie. Confirma sempre com um veterinário de exóticos que plantas são apropriadas para a tua tartaruga concreta.
Precisa mesmo de suplemento de cálcio?
Na maioria dos répteis de companhia, sim, e não é opcional. A carência de cálcio e vitamina D3 provoca a doença metabólica óssea, uma das patologias mais frequentes e graves em répteis mal alimentados. O cálcio costuma dar-se polvilhando os alimentos, e a D3 depende da luz UVB. O plano exato é definido pelo veterinário consoante a espécie.
Posso dar-lhe insetos que apanhe no campo?
Não é recomendável. Os insetos silvestres podem transportar pesticidas, parasitas ou provir de zonas tratadas, e alguns são tóxicos. O seguro é usar insetos criados para alimentação (grilos, baratas, larvas consoante a espécie), bem cuidados e "gut-loaded" antes de os oferecer.
Com que frequência come um réptil?
Varia muito consoante a espécie, a idade e a temperatura. Como ideia geral, os répteis jovens em crescimento costumam comer com mais frequência do que os adultos, e muitos répteis comem bastante menos do que um mamífero. A frequência e a ração corretas para a sua espécie e o teu animal concreto devem ser orientadas por um veterinário de exóticos.

Quem escreveu

Escrito pela equipa editorial da Mizuu. Não substitui a consulta com o teu veterinário.

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